DF: laptops estão sem uso em escola por falta de infraestrutura

Dificuldades estruturais impedem que uma escola de Ceilândia usem de forma adequada os laptos do programa Um Computador por Aluno. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Dificuldades estruturais impedem que uma escola de Ceilândia use de forma adequada os laptos do programa Um Computador por Aluno

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A direção do Centro de Ensino 10 da Ceilândia, cidade da periferia de Brasília (DF), ficou animada quando soube que a escola tinha sido escolhida para participar do programa Um Computador por Aluno (UCA), do governo federal. A expectativa era que os laptops que seriam distribuídos para cada um dos 470 estudantes de ensino fundamental pudessem mudar o dia a dia em sala de aula. Mas o equipamento que tinha potencial para transformar o projeto pedagógico se tornou mero coadjuvante em função das dificuldades estruturais. A internet é muito lenta e não suporta um grande número de acessos simultâneos. Por isso as turmas precisam fazer um “rodízio” e os computadores passam a maior parte do tempo trancados dentro do armário. Em algumas turmas os alunos só usam a máquina uma vez por semana.

Além da internet lenta, outra falha estrutural dificulta a utilização dos laptops: faltam armários nas salas de aula para guardar os equipamentos. No projeto original, cada sala seria equipada com armários específicos para acomodar os computadores. Mas os móveis nunca chegaram e, por isso, a escola armazena quase metade dos equipamentos recebidos em um armário que fica no laboratório e tem cadeados para garantir que os aparelhos não sejam furtados. Com isso, as máquinas que eram para ser de uso individual são dividas pelas turmas do turno da manhã e da tarde.

“Nós tivemos que fazer algumas adaptações. Como não tínhamos onde guardar, nós pegamos parte dos computadores e deixamos no armário que tem cadeado. No começo de todos os dias nós trazíamos do laboratório para a sala de aula e devolvíamos no final, mas a gente perdia muito tempo nesse trânsito. Por isso pelo menos 100 computadores dos 470 que recebemos ficam guardados lá sem uso”, explica a supervisora pedagógica, Cláudia Sousa.

No Distrito Federal, apenas sete escolas foram beneficiadas pelo programa do Ministério da Educação (MEC). À Secretaria de Educação do DF cabia o apoio técnico para que o projeto estivesse em pleno funcionamento. Mas a escola ainda não conseguiu contar com o órgão para resolver simples problemas como o dos armários. Cláudia acredita que as dificuldades impedem que o projeto seja explorado em todo o seu potencial. Segundo ela, a experiência é, às vezes, frustrante – tanto para professores como para alunos.

“Acho que poderia ser muito mais rico. Tem dia que a internet não funciona e, às vezes, o professor preparou uma aula e sai todo mundo frustrado porque o trabalho não pode ser feito. O professor, na verdade, tem a faca e o queijo na mão porque embora alguns tenham resistência ao uso do computador, os alunos caminham com as próprias pernas. Só que a gente esbarra nos problemas”, diz.

O UCA já está passando por uma segunda fase. Agora, os laptops não são mais distribuídos pelo MEC, mas podem ser adquiridos por prefeituras e governos estaduais, com recursos próprios e a preços reduzidos. O diretor de Formulação de Conteúdos Educacionais da Secretaria de Educação Básica do MEC, Sérgio Gotti, alerta que se não houver a infraestrutura necessária para apoiar o projeto, a compra dos computadores vira “um tiro no pé”.

“A aquisição pelos estados e municípios tem que ser uma escolha muito consciente. Se as escolas não têm estrutura suficiente para suportar, não têm conectividade, ele o laptop não vai ser trabalhado dentro de todo o seu potencial. Eles não ficam encostados porque, de alguma forma, são utilizados, mas acaba que você não tem o efeito desejado”, diz.

Mesmo com as dificuldades, Cláudia conta que o impacto do UCA no aprendizado é positivo. Os alunos ficam mais motivados porque têm outra ferramenta à disposição além dos livros e do quadro negro. “No dia do UCA ninguém falta”, diz. Cada professor escolhe como e quantas vezes por semana irá utilizar os laptops – com exceção da internet que segue um cronograma de uso para cada turma. Os alunos fazem pesquisas sobre os conteúdos que estão sendo desenvolvidos em sala ou brincam com os jogos educativos que já vêm instalados na máquina.

“A gente costuma entrar nos jogos ou pesquisar imagens. Mas antes tem que mostrar para a professora porque ela tem medo que a gente entre em site de namoro”, conta a aluna Mariana Santos, 9 anos, aluna do 4° ano do ensino fundamental . “Ele o computador é muito lento, o da minha casa é mais rápido. Mesmo assim, a gente queria usar mais na sala de aula”, completa a aluna.

O secretário de modernização e tecnologia da Secretaria de Educação do DF, Luiz Roberto Moselli, avalia que foi um “erro” não garantir a infraestrutura necessária ao projeto na época em que os computadores foram entregues. Segundo ele, o órgão começará em 2012 um projeto para garantir a conectividade em 100% das escolas, com velocidade maior do que atual.

“Estamos fazendo um plano diretor de informática para inserir a tecnologia na educação de forma bastante ambiciosa”, diz. De acordo com ele, o pedido dos armários já foi feito, mas como as peças serão fabricadas sob medida, o CEF 10 da Ceilândia começará o ano letivo ainda sem os móveis, que devem chegar até o fim do primeiro semestre.

 fonte: Agência Brasil
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Arquivos do Megaupload podem ser apagados na quinta-feira

O fechamento do site de compartilhamento de arquivos Megaupload há uma semana desencadeou uma série de reações. Além dos ataques de hacktivistas à indústria da música e do cinema e a sites do governo americano, foi detectado um aumento no uso de redes de compartilhamento de arquivos P2P. Por fim, os serviços semelhantes ao Megaupload tomaram algumas medidas para tentar escapar do mesmo destino do concorrente.

Desde declarações mostrando diferenças entre os serviços, em uma tentativa de se distanciar das acusações de atividades ilegais, até o bloqueio de compartilhamento de arquivos.

Veja algumas dessas medidas nos mais populares sites de compartilhamento.

  • Filesonic - Desabilitou o compartilhamento de arquivos e agora apenas guarda arquivos pessoais. Deixou de oferecer contas premium.
  • Fileserve - Interrompeu o compartilhamento de arquivos, fazendo com que usuários só pudessem baixar arquivos que eles mesmo subiram no serviço. Além disso, o Fileserve exluiu arquivos múltiplos, proibiu contas premium e fechou seu programa de afiliados.
  • VideoBB - Fechou o programa de afiliados.
  • Filepost - Suspendeu contas de usuários que enviaram material ilegal.
  • Uploaded.to - Bloqueou o acesso de usuários americanos.
  • Videozer - Fechou o programa de afiliados.
  • Filejungle - Está testando o bloqueio de acesso para IPs dos Estados Unidos.
  • Uploadstation - Está testando o bloqueio de acesso para IPs dos Estados Unidos.
  • 4shared - Começou a deletar contas e arquivos de usuários que violem direitos autorais.
  • Enterupload - Fechou o serviço, redirecionando seu endereço a outro site.
  • MediaFire - Em comunicado, o fundador do serviço deixou claro que o site leva as violações dos termos de serviço “muito a sério” e que é apenas um serviço de armazenamento na nuvem, tentando afastar o serviço da polêmica sobre conteúdo ilegal.
  • RapidShare - O advogado da empresa, em entrevista para a Fast Company, afirmou que a tecnologia para upload do RapidShare e do Megaupload é a mesma, assim como é igual a de serviços como o Dropbox ou o iCloud da Apple. Ele disse que o compartilhamento de arquivos não é o problema, mas sim a motivação por trás do negócio. Em postagem no Facebook, a empresa tranquilizou usuários dizendo que se diferencia do Megaupload pois “nunca quis fugir do acesso legal de qualquer administração” e não se sente ameaçada.

Entenda o caso
As autoridades dos Estados Unidos, incluindo o FBI (polícia federal americana), tiraram o Megaupload e outros 18 sites afiliados do ar na noite do dia 19 de janeiro (horário de Brasília) por considerar que o site faz parte de “uma organização delitiva responsável por uma enorme rede de pirataria virtual mundial”. O Megaupload teria causado mais de US$ 500 milhões em perdas ao transgredir os direitos de propriedade intelectual de companhias. As autoridades norte-americanas consideram que por meio do site, que conta com 150 milhões de usuários registrados, e de outras páginas associadas, ingressaram cerca de US$ 175 milhões.

Em resposta ao fechamento do Megaupload, o grupo de hackers Anonymous bloqueou temporariamente o site do Departamento de Justiça, do FBI e o da produtora Universal Music, entre outros na noite de 19 de janeiro, horário de Brasília. De acordo com os hackers, foi o maior ataque já promovido pelo grupo, com mais de cinco mil pessoas ajudando.

No dia 20 de janeiro na Nova Zelândia, noite de 19 de janeiro no Brasil, a polícia neozelandesa realizou uma operação na qual confiscou dos detidos e do Megaupload bens avaliados em US$ 4,8 milhões, além de US$ 8 milhões depositados em contas abertas em diversos bancos do país. Nesta operação, Kim Schmitz, mais conhecido por Dotcom, fundador do Megaupload, e os outros três envolvidos, foram presos. Desde então, outros acusados de participar do negócio, alguns fugitivos, vêm sendo presos ao redor do mundo. Dotcom, que teve o pedido de fiança negado, está preso desde o dia 20 de janeiro na Nova Zelândia e deve permanecer até o dia 22 de fevereiro, quando termina o prazo do pedido de extradição para os Estados Unidos.

Megaupload Ltd., e outra empresa vinculada ao caso, a Vestor Ltd, foram indiciadas pela câmara de acusações do Estado da Virgínia (leste) por violação aos direitos autorais e também por tentativas de extorsão e lavagem de dinheiro, infrações penalizadas com 20 anos de prisão. Embora tenham participado da operação, as autoridades da Nova Zelândia não devem apresentar acusações formais contra o site.

O anúncio do fechamento do Megaupload ocorreu em meio a uma polêmica nos Estados Unidos sobre dois projetos de lei antipirataria, o Sopa (Stop Online Piracy Act), que corria na Câmara dos Representantes, e o Pipa (Protect Intelectual Property Act), que era debatido no Senado, contra as quais se manifestou, entre muitos outros, o site Wikipédia, interrompendo seu acesso no dia 18 de janeiro, e o Google mascarando seu logo. O protesto foi chamado de apagão ou blecaute pelos manifestantes.

 

fonte: site Life Hacker.

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